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quarta-feira, 14 de abril de 2010

BUROCRACIA DE GREY


Estou convencida que todas as séries americanas podem ter versões portuguesas bem sucedidas. Já vimos que funciona com "Chouriços de Sangue" e "Vidas Entaladas" e agora vamos experimentar com a "Anatomia de Grey", mas com um elemento diferente e bem portuguesinho, tão portuguesinho que dá vontade de lhe pôr um naperon e um galinho de Barcelos em cima.


A minha versão de "Anatomia de Grey" não mete médicos. Os médicos, em Portugal, trabalham muito, fazem bancos de 24 horas e têm que atender delegados de informação médica e isso seria extremamente chato para o espectador, ainda mais chato que a versão original, com aquelas médicas sempre nuns dramas amorosos que não se aguentam. A versão que eu proponho chama-se "Burocracia de Grão" e passa-se numa repartição de Finanças.

Isilda Grão trabalha na repartição há mais de 20 anos. Tem um cacto em cima da secretária e não empresta o afia-lápis a ninguém, porque já é o quinto que lhe roubam. Há 5 anos foi proíbida pela médica de atender ao público devido a um "incidente" na repartição, que lhe valeu uma baixa psicológica de um mês e uma viagem a Torremolinos.

Tudo muda para Isilda quando ela própria tem que se dirigir a uma repartição de Finanças para pedir um novo cartão de contribuinte e é atendida por um homem que lhe diz que só falta um quarto de hora para fechar e que já não a pode atender. A resposta do funcionário desperta em Isilda as memórias do seu próprio incidente, quando esbofeteou uma cidadã que não sabia em que actividade se havia de colectar.

Será que Isilda vai encontrar a sua cura e vai poder voltar a atender ao público, agora que esteve do outro lado do balcão? E o colega que se recusou a atendê-la tinha algum charme...haverá romance no ar?

ERMELINDA RESPONDE

Depois da minha versão portuguesa de "Entre Vidas" ou "Em Contacto" (depende do canal em que vejam), "Vidas Entaladas" , a protagonista respondeu-me com um simpático e-mail. Foi Mamãe que escreveu, por isso, ainda não decidi se a ponha na série como actriz ou se a convide para trabalhar como argumentista...


"Senhora Dona Manana

Vi que escreveu uma parte da minha vida no seu blog e que se interroga como terei acabado.
Venho agora contar-lhe o que se passou a seguir. De facto, considero que a actual vida que tenho a devo à DICA DA SEMANA. Quando cheguei ao Extreme Makeover , já as pessoas tinham ouvido falar de mim aqui à volta. Nos dias de feira , comecei a ser abordada na rua por gentes vindas de Covelos, Fânzeres e Melres. O Extreme Makeover proporcionou-me a substituição de dois pré-molares e um incisivo, o tirar do buço a laser , a saber combinar uma camisola com uma saia e a dar a conhecer a minha cara.
O Jaime, que é um rapaz empreendedor, quando começou a ver cada vez mais gente a vir ter comigo disse : “Maria Ermelinda, chegou a hora de montar uma nanomicro-empresa e te candidatares a um financiamento IAPMEI INOV IV.
Foi assim comprámos uma casita e dei emprego à irmã do Jaime que tinha feito o 12º ano nas Novas Oportunidades, para atender as marcações de todas (e de todos, Dona Manana, e de todos que os homens também vêm!) aquelas que queriam vir falar com o seus entes queridos ou, simplesmente, resolver problemas de encostos. Como nas minhas consultas cada um dá o que entende, caso contrário perco o meu dom, as despesas com o contabilista não são muitas.
Aos poucos, começou a vir também gente de Balselhas, Cabeda, Lagoela, Ninarelhe, Refojo, Valongo e Ermesinde. À medida que o tempo passava, espalhava-se a minha virtude e o meu nome chegou a Aldoar, Contumil, Lordelo, Nevogilde, Ranha e mesmo ao Porto. Tive que recrutar mais gente das Novas Oportunidades e contratar umas assistentes para tratarem dos encostos porque falar com os que partiram sou só eu, que é um dom.

Hoje, vivo em Gondomar onde comprei um prédio para o meu trabalho. Vivo no último andar, no primeiro tenho os meus serviços e no segundo instalei um franchising do VivaFit com um pequeno restaurante, spa e nutricionista. O Jaime continua nos bombeiros para fazer o bem, mas quando não está de serviço dá uma ajuda na escrita. Tenho um casalzinho, o Rúben e a Sónia. Passo férias no Brasil onde aproveito para fazer uns worshops nos terreiros de Pai de Santo, temos dois carros e ainda uma casinha de fim de semana em Moledo. Sou considerada uma empresária de sucesso, amiga de casa do Senhor Major Valentim Loureiro que, não desfazendo, é uma jóia de pessoa.

Como vê isto de ter o cofre aberto é bom para todos

Sempre ao seu dispor,

Ermelinda Gordo"

quinta-feira, 1 de abril de 2010

VIDAS ENTALADAS


Quantos de vocês já se perguntaram "porque é que eu estou a ver isto" em frente à televisão, quando estava a dar aquela série da mulher que fala com os fantasmas? E quantos de vocês responderam "por causa do Jim"? O Diário de Manana avança com "Vidas Entaladas", a versão portuguesa de "Entre Vidas".


Na versão original, a senhora que fala com fantasmas chama-se Melinda Gordon, é casada com um paramédico que dá vontade de nos atirarmos para debaixo da ambulância, vive numa pequena cidade e é dona de uma loja de antiguidades. Bem, não são bem antiguidades, mas para os norte-americanos - que são uma nação na puberdade - aquilo já é considerado "antiguidade". Quando a minha bisavó morreu, já era mais velha que os E.U.A.

A versão que proponho passa-se em Rio Tinto, Concelho de Gondomar. Ermelinda Gordo sabe que tem o "cofre aberto" desde pequenina. Herdou da sua avó a capacidade de "desentalar" almas penadas que têm assuntos pendentes e enviá-las para o Além (isto, descontextualizado, poderia soar a envolvimento com o caso "Noite Branca", mas não). Por vezes, fala com elas na rua, mas as pessoas não vêm com quem está a falar e dizem "olha, lá vai a outra maluca a falar sózinha", "maluca?! ela é é uma grandessíssíma drógada", "cá para mim, tá e possuída".

Ermelinda namora com Jaime, o Comandante dos Bombeiros Voluntários de Rio Tinto e querem casar-se, mas as dificuldades financeiras de um e de outro não o permitem e não vão a lado nenhum só com um frigorífico oferecido pelo Major Valentim Loureiro. Jaime convence a namorada a dar uma entrevista à Dica da Semana para publicitar o seu dom. Da Dica da Semana para a televisão é um pulinho, mas a única coisa que Ermelinda consegue é um Extreme Makeover. Será que Ermelinda Gordo vai conseguir viver do seu dom, agora que tem facetas dentárias Da Vinci? E porque é que há tantas séries com mortos na Fox Life? Porque é que não mudam o nome para Fox Death?

quarta-feira, 17 de março de 2010

"CHOURIÇOS DE SANGUE"


Foi-me sugerido que desenvolvesse uma ideia para uma série de vampiros mas, como sabem, o que não falta para aí são séries de vampiros, que pouco têm a ver com a nossa cultura. De que maneira é que o espectador português se poderia identificar com os vampiros (insira a sua piada política aqui)? Foi então que decidi pegar na linha do que tinha feito anteriormente com a série do Exorcista (ler aqui) e criei "Chouriços de Sangue", a primeira série de vampiros verdadeiramente portuguesa.


A acção de "Chouriços de Sangue" tem lugar no Baixo-Alentejo, onde o Sol castiga o comum dos mortais e atrapalha muito a vida de um jovem vampiro, Gaudêncio, que se apaixona por uma bela ceifeira. O amor de Gaudêncio é correspondido, mas o pai de Agostinha não a quer deixar saír à noite - apesar de ela ter 32 anos e carta de condução - e ele só sai das aulas às 22.30h porque frequenta o ensino nocturno.

Para além do pai de Agostinha e do desafio da luz solar, o jovem casal enfrenta também os comentários dos habitantes da vila, que nunca se habituaram ao aspecto de Gaudêncio e lhe chamam "o Marilyn Manson de Mértola".

A revolta silenciosa de Agostinha e Gaudêncio culmina com a abertura de uma produção de enchidos que, provavelmente, não seria aprovada pela ASAE. De que serão feitos estes misteriosos chouriços de sangue?



Post dedicado ao "Filho da Doutora da Farmácia" ;), pelos 25% de inspiração!