A minha provecta idade (17)ensinou-me a deixar de esconder as minhas pancas. No outro dia, em conversa com uma amiga, contei-lhe algumas das minhas e ficou mais aliviada. Toda a gente faz coisas ridículas e o mais ridículo é tentar escondê-las. São estas "freakalhices" que fazem de nós únicos. Este menino imita uma qualquer personagem do Star Wars, eu imito a Dana International no recesso do meu quarto. Agora contem-me as vossas...
sexta-feira, 22 de junho de 2007
quinta-feira, 7 de junho de 2007
O nosso peso em lixo

Uma coisa que sempre me suscitou muita curiosidade - mais do que as pessoas que cortam as unhas no autocarro - é o exibicionismo do "tuga" no que toca ao lixo. Digo "exibicionismo" porque quanto mais lixo houver no balde do "tuga", melhor. Por exemplo, aqui no prédio, só se podem pôr os sacos do lixo no caixote comum a partir das 17.30, mas, logo a seguir ao almoço, os sacos a transbordar já estão acumulados, em sentido, à porta, em processo de putrefacção, enquanto aguardam o momento em que são deitados naquele caixote grande e verde. E quanto mais sacos melhor. Quer dizer que lá em casa se consome muito, logo, que há dinheiro. É aqui que se inicia uma competição com o vizinho do lado para ver quem tem mais sacos do lixo e mais caixas de electrodomésticos à porta:"O sacana do Antunes tinha um saco com espinhas de peixe. É porque comprou peixe fresco! Temos que deixar de comprar centros de pescada Pescanova que isso não tem espinhas para mostrar. E deve ter havido festa ontem...tinha umas cabeças de camarão tigre!". Por acaso tive uma vizinha assim, que remexia no lixo lá de casa quando eu ficava sozinha e depois ia comentar com a outra vizinha: " a mãe não está em casa, ela nem cozinha. Encomendou uma pizza!".
Mas o festival não acaba aqui. O expoente máximo das "Líxiadas" (festas em louvor do deus Lixo) é o momento em que o lixo é posto no Ecoponto. Como as pessoas que têm mais que dois dedos de testa devem saber, o Ecoponto serve para colocar lixo que pode ser RECICLADO - PAPEL/CARTÃO, EMBALAGENS e VIDRO. Todavia, sabe-se lá porquê, há uns rebeldes do lixo que insistem em deitar os sacos do lixo para dentro do Ecoponto, deitar o vidro no ponto das embalagens e outros ainda que colocam junto do Ecoponto todo o tipo de lixo que é demasiado grande para ter em casa (colchões, sofás, electrodomésticos). Amiguinhos, se ligarem ou enviarem um e-mail para a Câmara Municipal de Lisboa, vêm buscar o lixo no próprio dia. Escusam de ter a esperança vã que apareça a Beatriz Leones do "Querido Mudei a Casa" para reciclar o vosso sofã dos anos 80. Para mais informações sobre o que devem fazer ao vosso lixo: http://lisboalimpa.cm-lisboa.pt/ .
quarta-feira, 6 de junho de 2007
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Morrer, mas só um bocadinho
Uma coisa que sempre me suscitou muito interesse é a sensibilidade do nosso povo em relação às palavras. O típico "tuga" até pode coçar partes menos próprias em público, cortar as unhas no autocarro (vou guardar esta para um próximo post), cuspir para o chão, mas escolhe muito bem as palavras que profere, sob um rigoroso critério de selecção. Já todos ouvimos um "queria ou quer?" em resposta a um "queria um café, se faz favor" ou, nos táxis, se dizemos: "era para a Praça do Saldanha, se faz favor" levamos logo com um "era? já não é?", seguido de um risinho idiota e irritante que pode até levar a um ataque fulminante de psoríase. Às vezes, ainda me dou ao trabalho de explicar a Modalidade Verbal (que aprendi com a Prof.Isabel Casanova, em Linguística Inglesa, na FLUL, e nunca mais me saiu da cabeça), mas desde que um taxista foi o caminho inteiro para minha casa a dizer que eu é que estava errada, comecei a ter mais tento na língua e na Língua.
Estas coisas das palavras acabam por ser uma moda. Assim como há desfiles de moda para nos mostrar as tendências da estação no que toca a roupa e acessórios, também deveria haver certames de palavras, para vermos qual é a modazinha irritante que vem a seguir. Nos tempos que já lá vão, a palavra "vermelho" estava associada aos Comunistas e, por isso, foi substituída por "encarnado". Fafá de Belém, começa já a preparar uma nova letra para a tua música "Vermelho". Sugiro um refrão: "Encarnado, Encarnadaço, Encarnadusco, Encarnadão".
Uma vez, reparei que um amigo meu pedia "um copo com água", em vez de "um copo de água", talvez temendo que o levassem à letra e que lhe trouxessem um copo feito de água, sem nada lá dentro. E que tal um copo de vinho?
Mas o último dos trends do nosso léxico é substituir o verbo "morrer" por "falecer". Há uns tempos fui corrigida por não sei quem porque disse que não sei quem tinha morrido: "não morreu, faleceu". Ah, claro. Não é a mesma coisa! "Falecer" não é tão grave como "morrer", embora as consequências sejam exactamente as mesmas e, habitualmente, irreversíveis.
A verdade é que também eu substituo o "aleijar" por "magoar" porque o "aleijar" está associado a um ferimento mais grave e "magoar" acaba por ficar mais bonito. Mas, sinceramente, tenho medo destas modas... "medo" não, "receio"...
Estas coisas das palavras acabam por ser uma moda. Assim como há desfiles de moda para nos mostrar as tendências da estação no que toca a roupa e acessórios, também deveria haver certames de palavras, para vermos qual é a modazinha irritante que vem a seguir. Nos tempos que já lá vão, a palavra "vermelho" estava associada aos Comunistas e, por isso, foi substituída por "encarnado". Fafá de Belém, começa já a preparar uma nova letra para a tua música "Vermelho". Sugiro um refrão: "Encarnado, Encarnadaço, Encarnadusco, Encarnadão".
Uma vez, reparei que um amigo meu pedia "um copo com água", em vez de "um copo de água", talvez temendo que o levassem à letra e que lhe trouxessem um copo feito de água, sem nada lá dentro. E que tal um copo de vinho?
Mas o último dos trends do nosso léxico é substituir o verbo "morrer" por "falecer". Há uns tempos fui corrigida por não sei quem porque disse que não sei quem tinha morrido: "não morreu, faleceu". Ah, claro. Não é a mesma coisa! "Falecer" não é tão grave como "morrer", embora as consequências sejam exactamente as mesmas e, habitualmente, irreversíveis.
A verdade é que também eu substituo o "aleijar" por "magoar" porque o "aleijar" está associado a um ferimento mais grave e "magoar" acaba por ficar mais bonito. Mas, sinceramente, tenho medo destas modas... "medo" não, "receio"...
sexta-feira, 4 de maio de 2007
O Bichinho do Teatro

Recentemente apercebi-me da mais perigosa das epidemias: o "bichinho do teatro", também conhecido por parasitae teatralis. De repente, só se vê gente a dizer que tem o "bichinho do teatro" e que "em crianças faziam teatrinhos para a família". Eu também brinquei aos médicos e nem por isso me deu para ser cirurgião plástico (se bem que as Barriguitas precisavam de uma abdominoplastia)! O raio do "bichinho" ataca, geralmente, a partir dos 17 anos e tem maior incidência no sexo feminino (a puberdade é uma fase em que o ser-humano se encontra vulnerável a este tipo de "bicheza"). Normalmente pode resultar num forte desejo de integrar o elenco dos "Morangos com Açúcar", porém, nem sempre dá vontade de assistir a espectáculos teatrais. Quando ouço alguém dizer que tem o "bichinho do teatro" tenho pena dessa pessoa, porque deve ter imensa comichão e penso senão será falta de higiene. Será que se apanha nas cadeiras dos teatros antigos, daqueles que não vêm aspirador desde a fundação? Ou nos transportes públicos? Talvez nos ginásios, se não usarmos chinelos no duche.
- Senhora Doutora, acho que apanhei o "bichinho do teatro"...
- E sabe onde é que apanhou?
- Bebi do copo de um amigo meu, que é actor...
- Esta juventude não tem cuidado nenhum! Vou-lhe dar um genérico, aplica todos os dias - de manhã e à noite - e lê A Preparação do Actor, do Stanislavsky. Se não melhorar, candidate-se às provas de admissão no Conservatório que isso passa-lhe.
- Senhora Doutora, muito obrigada!
- Vai ficar boazinha, se Deus quiser. É preciso é seguir o tratamento porque senão...
- Pois, Senhora Doutora...
- ...ainda acaba para aí numa Gaivota de Tchekov...
- Cruzes canhoto, Senhora Doutora!
- ...ou um Tio Vânia!
- Obrigadinha, Senhora Doutora!
domingo, 25 de março de 2007
Para quando o Vatican Fashion Week?
No outro dia, numa conversa sobre a exortação apostólica do Papa Bento XVI, um amigo dizia-me que achava bem trazer o latim e os cantos gregorianos de volta às celebrações e tornar a saudação da paz mais sóbria. Nada de abraços. Como as minhas conversas sobre religião com esse meu amigo, apesar da nossa divergência de opiniões, conseguem sempre ser equilibradas eu disse: "Se o Diabo veste Prada, o Papa não pode calçar Prada!". " Dissemos mais umas duas ou três parvoíces e depois acabámos por nos perguntar quem vestiria o Papa. Fui investigar. De facto, muito se tem falado sobre os gostos de Bento XVI no que diz respeito a modas. Parece que não gostou dos seus paramentos e acabou por dispensar os serviços da família Gammarelli, que confeccionava as vestes papais desde 1792. Convocou o alfaiate dos seus tempos de cardeal, Alessandro Cataneo, e Raniero Mancinelli, dono de uma marca especialista em indumentárias religiosas de luxo. Demonstra um certo gosto pelo uso das peles que faziam já parte do "guarda-roupa papal" e que não eram usadas desde os anos 60. Óculos Gucci e sapatos Prada também fazem parte dos seus acessórios. Estamos a um passo de tornar real a cena do desfile de roupas eclesiásticas de "Fellini Roma"(1972).
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