sexta-feira, 4 de maio de 2007

O Bichinho do Teatro


Recentemente apercebi-me da mais perigosa das epidemias: o "bichinho do teatro", também conhecido por parasitae teatralis. De repente, só se vê gente a dizer que tem o "bichinho do teatro" e que "em crianças faziam teatrinhos para a família". Eu também brinquei aos médicos e nem por isso me deu para ser cirurgião plástico (se bem que as Barriguitas precisavam de uma abdominoplastia)! O raio do "bichinho" ataca, geralmente, a partir dos 17 anos e tem maior incidência no sexo feminino (a puberdade é uma fase em que o ser-humano se encontra vulnerável a este tipo de "bicheza"). Normalmente pode resultar num forte desejo de integrar o elenco dos "Morangos com Açúcar", porém, nem sempre dá vontade de assistir a espectáculos teatrais. Quando ouço alguém dizer que tem o "bichinho do teatro" tenho pena dessa pessoa, porque deve ter imensa comichão e penso senão será falta de higiene. Será que se apanha nas cadeiras dos teatros antigos, daqueles que não vêm aspirador desde a fundação? Ou nos transportes públicos? Talvez nos ginásios, se não usarmos chinelos no duche.


- Senhora Doutora, acho que apanhei o "bichinho do teatro"...

- E sabe onde é que apanhou?

- Bebi do copo de um amigo meu, que é actor...

- Esta juventude não tem cuidado nenhum! Vou-lhe dar um genérico, aplica todos os dias - de manhã e à noite - e lê A Preparação do Actor, do Stanislavsky. Se não melhorar, candidate-se às provas de admissão no Conservatório que isso passa-lhe.

- Senhora Doutora, muito obrigada!

- Vai ficar boazinha, se Deus quiser. É preciso é seguir o tratamento porque senão...

- Pois, Senhora Doutora...

- ...ainda acaba para aí numa Gaivota de Tchekov...

- Cruzes canhoto, Senhora Doutora!

- ...ou um Tio Vânia!

- Obrigadinha, Senhora Doutora!


4 comentários:

Blé disse...

Também já me cruzei com gente contaminada com bichinhos de natureza diversa. Incluído o do teatro. Ter o bichinho, em si, não é perigoso, desde que não passe do estado latente ou incubado. O grave mesmo é quando o bichinho desabrocha e os infectados querem passar ao acto! Aí, só resta a solução de nos pormos a milhas, não para evitar contágio mas para não sermos vítimas dos sintomas!

Jaime Tito disse...

Do que a menina precisa e' duma dose dupla de culturas alternativas (alternativas para si, bem entendido!), nomeadamente uma 7a ou uma 9a. Quando quiser, ja' sabe: I'm your man!

Isabel disse...

Manana, Manana, não tarda nada e o teu texto é atacado por pelo bichinho dos pixels!

Sara Leal disse...

Realmente hoje em dia existe uma invasão deste tipo de “bicho” mas nem todas as pessoas que o sentem estão interessados em ingressar no elenco dos morangos, que aliás, se todas as pessoas fossem como eu não teriam nem 0.0039 de audiências...
Mas cada um tem a sua opinião, eu tenho o bichinho do teatro, quem me dera não o ter porque já me apercebi dos “problemas” que essa infestação me pode trazer... mas que fazer... não há solução como diz no seu POST... não há um remédio para isto... há que aprender a viver com o “bichinho do teatro”, eu vivo com ele, mas ainda não cedi ás duas vontades... de momento tento formar-me o mais possível para um dia se o “bichinho” me fizer dar a cara num palco, não me faça ser como os “novos talentos” da televisão, que apenas suportam os seus trabalhos numa carinha bonita e num corpinho bem feito... Desculpe a invasão e o desabafo... mas descobri este POST por acaso e não resisti a comentá-lo!

Beijos e fique bem!